Produção de sêmen bovino avançou 12,4% em 2025 mesmo com alta no abate de fêmeas
Exportação do segmento 'mudou de patamar', diz presidente da Asbia, Luis Adriano Teixeira
A indústria brasileira de inseminação artificial em bovinos produziu 23 milhões de doses de sêmen bovino no ano passado, um crescimento de 12,4% em relação a 2024, de acordo com o Index Asbia, divulgado nesta quarta-feira (25/2) pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) e elaborado em parceria com o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
Foram 19,2 milhões de doses no segmento corte e 3,8 milhões de doses no segmento leite - que alcançou um recorde, com alta de 20,9%.
Considerando toda a oferta de sêmen bovino, entre produção nacional e importação, a entrada de doses no mercado cresceu 15,5% na comparação anual. As importações ficaram em 7,2 milhões de doses, alta de 26,7% em relação a 2024.
Ainda segundo a Asbia, o Brasil exportou um volume recorde de doses de sêmen bovino em 2025, ultrapassando 1 milhão de doses. No corte, os embarques somaram 598 mil doses. No leite, foram 519 mil.
O desempenho positivo se deu na contramão da elevação do abate de matrizes registrada no ano passado, o que impacta na produção de bezerros. Dados do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), apontam que a participação das fêmeas no total de abates foi de 45% no ano passado. Em 2021, por exemplo, esse percentual estava em 33,7%.
"O principal fator está associado à produtividade, aumento da eficiência da atividade, gerando mais bezerros mesmo com um número menor de vacas. O abate de fêmeas foi compensado pela melhoria de produtividade das fazendas", explicou o diretor operacional da Asbia, Stefan Mihailov.
No segmento leite, por sua vez, o aumento da inseminação se deu mesmo num cenário de baixa remuneração na atividade. Segundo o Cepea/Esalq, o preço pago ao produtor de Minas Gerais pelo litro caiu de R$ 2,72 para R$ 2,03 entre janeiro e dezembro do ano passado.
"Atingimos mais de 15% das vacas inseminadas. O horizonte ainda é enorme, existem mais 85% das vacas aptas para serem inseminadas na pecuária de leite que ainda não adotam a tecnologia", acrescentou Mihailov.
"No gado de leite, não tivemos um aumento de vacas que represente esse aumento de produção que a gente viu do uso de inseminação artificial, então isso claramente está associado a novas fazendas passando a utilizar mais inseminação e também a um processo de consolidação de fazendas de pequeno porte talvez sendo absorvidas por fazendas mais estruturadas que já adotam a tecnologia."
O Index Asbia aponta ainda que a tecnologia esteve presente em 4.529 municípios brasileiros, o que representa 81,3% do total.
Momento de retomada
Os dados divulgados nesta quarta-feira confirmam a retomada iniciada em 2024, quando as vendas voltaram a subir após dois anos de queda no segmento corte. O ano de 2021, com 19,8 milhões de doses comercializadas, permanece um recorde.
Para o presidente da Asbia, Luis Adriano Teixeira, o desempenho destes últimos anos deve-se a um conjunto de fatores que inclui o trabalho institucional de divulgar os benefícios da inseminação e o efeito do ciclo pecuário, que levou o produtor a enviar parte de suas fêmeas ao abate para manter fluxo de caixa.
"Em 2025, vários fatores externos, desde as tarifas dos Estados Unidos até a variação cambial, acabaram segurando um pouco o mercado, mas mesmo assim o mercado de corte cresceu 8%", observa.
Tendo em vista o atual cenário de virada no ciclo pecuário, com maior valorização de bezerros, Teixeira afirma que a expectativa é positiva para o desempenho do setor em 2026, tanto no mercado interno quanto na exportação em gado de corte e leite. "Não tenho dúvida que os números vão continuar crescendo a dois dígitos", afirmou, porém sem arriscar um percentual.
Genética tropical
Quanto às exportações, o crescimento foi de 33% durante o ano passado. "Mudou de patamar", diz Teixeira, usando uma expressão popular no futebol.
Alguns fatores colaboraram para isso, na avaliação do dirigente. O primeiro deles é o fato de o Brasil ser reconhecido como a melhor fonte de "genética tropical", tanto no corte quanto no leite. Em função disso, países da América Central, América Latina e África estão entre os principais mercados.
Outro fator importante foi o trabalho desenvolvido pelas associações de criadores e programas de melhoramento genético.
Maior consumidor de carne do mundo, a China é considerada um mercado estratégico para o futuro, uma vez que o gigante asiático busca reduzir a dependência das importações.
"O crescimento da produção interna tem de passar por um melhoramento genético. É um grande mercado potencial para o uso de genética melhoradora. Mas o mercado chinês, assim como vários outros, não deixa de ser um mercado difícil de abrir, de protocolos", afirma Teixeira, citando que conversas estão em andamento junto com entidades do setor.