Após período de retração, mercado de genética bovina vive momento de retomada no país

  • Genética
  • 29/01/2026

Após um período de queda nas vendas, nos anos de 2022 e 2023, o setor de sêmen bovino confirmou um movimento de retomada no ano passado no país. Segundo a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), foram comercializadas 15,6 milhões de doses entre os meses de janeiro e outubro, e a projeção é de que no ano o total tenha alcançado 19 milhões, acima do registrado em 2024, quando somou 17,5 milhões de doses.

 

A venda de sêmen no segmento de gado de corte cresceu perto de 10% em 2025, com destaque para as raças taurinas, especialmente Angus e Brangus, que avançaram acima de 20% e acabaram puxando o crescimento do mercado. Os números consolidados serão divulgados em fevereiro pela Asbia.

 

“Aquele período em que a inseminação teve uma redução e depois estabilizou é exatamente o momento em que houve a queda no preço do boi e do bezerro. É o que chamamos de baixa do nosso ciclo. Agora, que houve uma retomada da fase de alta, houve um crescimento novamente da inseminação”, afirma o sócio-proprietário da CRIO Central Genética Bovina, de Cachoeira do Sul (RS), e diretor da Asbia, Fernando Velloso.

 

Os números também apontam para uma popularização da inseminação, segundo Velloso. Ele observa que, há duas ou três décadas, os pecuaristas aderiam à ferramenta tendo como objetivo principalmente o melhoramento genético. Mas, em anos recentes, a inseminação passou a ser uma forma de controlar os custos da fazenda e a gestão reprodutiva do rebanho.

 

Hoje, segundo Velloso, a inseminação deixou de ser um investimento pontual para se tornar uma rotina nas fazendas. “Com a popularização dos protocolos de inseminação a tempo fixo (IATF), é possível ao produtor obter um custo de prenhez, ou seja, o custo do bezerro nascido, menor com a inseminação artificial do que com a monta natural”, resume.

 

Segundo ele, essa rotina permite aumentar a eficiência reprodutiva em 5% a 10%. A redução de custos, por sua vez, pode alcançar entre 20% e 25%.

 

A expectativa para este ano é de que o mercado siga em expansão. “Imaginamos que vamos ter, nos próximos três anos, um bom preço para o bezerro, e quando isso ocorre você tem estímulo para a cria”, analisa Velloso.

 

Neste momento, o boi gordo no Rio Grande do Sul, por exemplo, está cotado em cerca de R$ 11,50 o quilo vivo, enquanto o quilo vivo do bezerro vale de R$ 14 a R$ 15 no Estado. A expectativa é de que esse ágio do bezerro em relação ao boi gordo permaneça na faixa de 20%. Um dos fatores que apontam para o incentivo à cria é a tendência de redução no abate de fêmeas, após alta registrada em 2025.

 

Mudança estrutural

A retomada também aparece nos números das centrais de inseminação. Na Seleon Biotecnologia, de Itatinga (SP), o crescimento foi de 17% em 2025, segundo o CEO Bruno Grubisich. De acordo com ele, o bom momento vivido pelo setor no ano passado se deve menos a uma empolgação de ciclo e mais a uma estrutura produtiva que foi redesenhada após a pandemia.

 

“Houve uma explosão da demanda, os preços da carne foram lá em cima, e isso levou a uma corrida dos pecuaristas atrás de genética e de produtos para melhorar a produção”, conta.

 

O desempenho da empresa no ano passado foi impulsionado principalmente pela alta de 105% na comercialização de sêmen da raça Angus. No gado de leite, o destaque foi a raça Holandês, com crescimento de 55%.

 

Uma tendência vista durante o período de pandemia foi a importação de touros para coleta de sêmen no Brasil. Hoje a Seleon conta com mais de 100 touros americanos, o que representa mais de 20% do plantel. “Cada vez mais o pecuarista está buscando o produto de ponta, então criou-se esse corredor, digamos assim, de genética americana no Brasil”, observa Grubisich.

 

A logística para trazer os animais ao Brasil funciona assim: os touros passam por uma quarentena, nos Estados Unidos, e são embarcados de avião até Viracopos. Em solo brasileiro, os animais são recebidos por fiscais do Ministério da Agricultura e encaminhados para a Seleon, onde passam por um processo de pré-imunização, visando a resistência ao carrapato [parasita mais comum em regiões de clima tropical].

 

Após 60 dias, o touro está apto a ir a campo e ter uma vida normal. A partir de então, o animal começa a produzir sêmen. A genética desses animais costumava ser importada por meio de doses de sêmen congeladas, em botijões. Questões de logística e de aduana, porém, faziam com que algumas empresas acabassem perdendo oportunidades de venda, de acordo com o empresário.

 

“Viabilizamos um mercado que não existia por conta dessa limitação do [clima] tropical. Quando os clientes perceberam que existia uma oportunidade de mandar esses touros de avião para o Brasil, e ter a segurança de ter uma produção contínua de sêmen, isso começou a ser uma tendência”, acrescenta o sócio da Seleon.

 

Na empresa, um touro produz, em média, 400 a 500 doses por coleta, que ocorre duas vezes por semana. Dessa forma, um touro pode produzir dezenas de milhares de doses ao ano.

Após um período de queda nas vendas, nos anos de 2022 e 2023, o setor de sêmen bovino confirmou um movimento de retomada no ano passado no país. Segundo a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), foram comercializadas 15,6 milhões de doses entre os meses de janeiro e outubro, e a projeção é de que no ano o total tenha alcançado 19 milhões, acima do registrado em 2024, quando somou 17,5 milhões de doses.

 

A venda de sêmen no segmento de gado de corte cresceu perto de 10% em 2025, com destaque para as raças taurinas, especialmente Angus e Brangus, que avançaram acima de 20% e acabaram puxando o crescimento do mercado. Os números consolidados serão divulgados em fevereiro pela Asbia.

 

“Aquele período em que a inseminação teve uma redução e depois estabilizou é exatamente o momento em que houve a queda no preço do boi e do bezerro. É o que chamamos de baixa do nosso ciclo. Agora, que houve uma retomada da fase de alta, houve um crescimento novamente da inseminação”, afirma o sócio-proprietário da CRIO Central Genética Bovina, de Cachoeira do Sul (RS), e diretor da Asbia, Fernando Velloso.

 

Os números também apontam para uma popularização da inseminação, segundo Velloso. Ele observa que, há duas ou três décadas, os pecuaristas aderiam à ferramenta tendo como objetivo principalmente o melhoramento genético. Mas, em anos recentes, a inseminação passou a ser uma forma de controlar os custos da fazenda e a gestão reprodutiva do rebanho.

 

Hoje, segundo Velloso, a inseminação deixou de ser um investimento pontual para se tornar uma rotina nas fazendas. “Com a popularização dos protocolos de inseminação a tempo fixo (IATF), é possível ao produtor obter um custo de prenhez, ou seja, o custo do bezerro nascido, menor com a inseminação artificial do que com a monta natural”, resume.

 

Segundo ele, essa rotina permite aumentar a eficiência reprodutiva em 5% a 10%. A redução de custos, por sua vez, pode alcançar entre 20% e 25%.

 

A expectativa para este ano é de que o mercado siga em expansão. “Imaginamos que vamos ter, nos próximos três anos, um bom preço para o bezerro, e quando isso ocorre você tem estímulo para a cria”, analisa Velloso.

 

Neste momento, o boi gordo no Rio Grande do Sul, por exemplo, está cotado em cerca de R$ 11,50 o quilo vivo, enquanto o quilo vivo do bezerro vale de R$ 14 a R$ 15 no Estado. A expectativa é de que esse ágio do bezerro em relação ao boi gordo permaneça na faixa de 20%. Um dos fatores que apontam para o incentivo à cria é a tendência de redução no abate de fêmeas, após alta registrada em 2025.

 

Mudança estrutural

A retomada também aparece nos números das centrais de inseminação. Na Seleon Biotecnologia, de Itatinga (SP), o crescimento foi de 17% em 2025, segundo o CEO Bruno Grubisich. De acordo com ele, o bom momento vivido pelo setor no ano passado se deve menos a uma empolgação de ciclo e mais a uma estrutura produtiva que foi redesenhada após a pandemia.

 

“Houve uma explosão da demanda, os preços da carne foram lá em cima, e isso levou a uma corrida dos pecuaristas atrás de genética e de produtos para melhorar a produção”, conta.

 

O desempenho da empresa no ano passado foi impulsionado principalmente pela alta de 105% na comercialização de sêmen da raça Angus. No gado de leite, o destaque foi a raça Holandês, com crescimento de 55%.

 

Uma tendência vista durante o período de pandemia foi a importação de touros para coleta de sêmen no Brasil. Hoje a Seleon conta com mais de 100 touros americanos, o que representa mais de 20% do plantel. “Cada vez mais o pecuarista está buscando o produto de ponta, então criou-se esse corredor, digamos assim, de genética americana no Brasil”, observa Grubisich.

 

A logística para trazer os animais ao Brasil funciona assim: os touros passam por uma quarentena, nos Estados Unidos, e são embarcados de avião até Viracopos. Em solo brasileiro, os animais são recebidos por fiscais do Ministério da Agricultura e encaminhados para a Seleon, onde passam por um processo de pré-imunização, visando a resistência ao carrapato [parasita mais comum em regiões de clima tropical].

 

Após 60 dias, o touro está apto a ir a campo e ter uma vida normal. A partir de então, o animal começa a produzir sêmen. A genética desses animais costumava ser importada por meio de doses de sêmen congeladas, em botijões. Questões de logística e de aduana, porém, faziam com que algumas empresas acabassem perdendo oportunidades de venda, de acordo com o empresário.

 

“Viabilizamos um mercado que não existia por conta dessa limitação do [clima] tropical. Quando os clientes perceberam que existia uma oportunidade de mandar esses touros de avião para o Brasil, e ter a segurança de ter uma produção contínua de sêmen, isso começou a ser uma tendência”, acrescenta o sócio da Seleon.

 

Na empresa, um touro produz, em média, 400 a 500 doses por coleta, que ocorre duas vezes por semana. Dessa forma, um touro pode produzir dezenas de milhares de doses ao ano.

Fonte: Danton Boatini Júnior - São Paulo Genética, Mercado